Mostrando postagens com marcador engenharia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador engenharia. Mostrar todas as postagens

Engenharia Reversa de Precisão: Do Objeto Físico ao Modelo Digital com Fusion 360



Este artigo técnico detalha o fluxo de trabalho profissional para realizar a engenharia reversa de peças mecânicas circulares, utilizando o Autodesk Fusion 360 como plataforma central.

A engenharia reversa é a arte de recuperar a intenção original de um projeto a partir de uma peça física. Para este guia, utilizamos uma peça técnica circular danificada (Imagem 1) para reconstruir um modelo sólido perfeito (Imagem 2).

Por que utilizar o Autodesk Fusion 360?

Todo o processo descrito abaixo é realizado no Fusion 360 por ser uma ferramenta CAD/CAM/CAE integrada. Ao contrário de softwares de modelagem artística, o Fusion permite:

  • Modelagem Paramétrica: Você pode alterar uma dimensão no futuro e todo o modelo se ajustará automaticamente.

  • Ambiente de Malha Nativo: Ele possui ferramentas específicas para manipular e extrair geometria diretamente de arquivos STL/OBJ.

  • Precisão Industrial: Permite a reconstrução baseada em restrições geométricas (paralelismo, concentricidade), eliminando os erros de desgaste ou quebra da peça física.

O Fluxo de Trabalho no Fusion 360

1. Análise Inicial das Imagens e Estratégia

Imagem 1:

A Imagem 1 mostra uma peça mecânica circular, provavelmente um flange ou disco, que se partiu em duas. Observamos:

  • Geometria Circular: Claramente a base da peça.

  • Furos Simétricos: Múltiplos furos passantes menores estão dispostos radialmente. Há também um furo central maior.

  • Detalhes de Borda: Rasgos arredondados na borda externa.

  • Dano: A quebra impede medições precisas diretas de todos os furos e o alinhamento total.

Estratégia: Dada a simetria, a abordagem será modelar uma "fatia" da peça e usar um padrão circular para replicar os elementos. A quebra nos impede de usar a peça para medições totais, exigindo a reconstrução baseada em eixos e dimensões conhecidas ou inferidas.

2. Calibragem e Referência

Após importar sua malha ou foto (Insert Mesh ou Insert Canvas), o primeiro passo é a Calibragem. No Fusion, clique com o botão direito na referência e selecione Calibrate. Defina uma medida real conhecida (ex: diâmetro externo) para que o software entenda a escala 1:1.

3. Extração de Geometria (Mesh Section)

Para não "copiar" as falhas da quebra, utilizamos o comando Create Mesh Section Sketch. Isso cria um "carimbo" da silhueta da peça. Em seguida, usamos a ferramenta Fit Curves to Mesh Section para converter esses pontos em círculos e linhas matematicamente perfeitos.

4. Simetria Radial com Circular Pattern

Peças técnicas circulares dependem de equilíbrio. No Fusion, você não desenha todos os furos:

  1. Modele apenas um furo (a "feature" mestre).

  2. Acesse Create > Pattern > Circular Pattern.

  3. Selecione a extrusão do furo e o eixo central.

  4. Insira a quantidade desejada. O Fusion garantirá que o espaçamento angular seja absolutamente exato, algo impossível de obter medindo manualmente uma peça quebrada.

Análise da Imagem 2:

A Imagem 2 demonstra o resultado esperado no Fusion 360. Vemos:

  • Geometria Limpa: O modelo paramétrico é simétrico e preciso, sem as irregularidades da peça quebrada.

  • Padrões Repetidos: Os furos são perfeitamente alinhados e espaçados, indicando o uso do Circular Pattern.

  • Intenção de Design: Os círculos internos sugerem rebaixos ou furos adicionais, que seriam replicados com o mesmo método de padrões.

  • Visualização: O modelo está em modo transparente para facilitar a visualização da malha subjacente, um recurso comum na engenharia reversa.


5. Refinamento Técnico e Fabricação

Após a construção da geometria bruta, finalize o modelo para garantir durabilidade.

  • Fillets e Chamfers: Adicione raios nas bordas para reduzir a concentração de tensão, prevenindo novas quebras.

  • Section Analysis: Utilize Inspect > Section Analysis para comparar visualmente o corte do seu novo sólido com a malha original.

6. Escolhendo o Material Correto para a Impressão 3D

Para peças técnicas que sofreram fadiga (como a da Imagem 1), a escolha do material é o que define se a peça durará anos ou apenas minutos.

MaterialMotivo da EscolhaAplicação
PETGExcelente equilíbrio entre resistência mecânica e facilidade de impressão. Mais flexível que o PLA, não quebra seco.Uso mecânico geral, flanges e suportes.
ABS / ASAAlta resistência térmica e boa resistência ao impacto.Peças que trabalham em ambientes quentes (motores ou sol).
Nylon (PA)Extrema resistência ao desgaste e tenacidade. É o material de engenharia por excelência.Engrenagens, peças de fricção e componentes de alta carga.

7. Parâmetros Críticos no Fatiador (Slicer)

Uma peça de engenharia requer atenção em parâmetros que vão além da estética. Ao preparar o arquivo para a sua impressora 3D, foque nestes pontos:

  • Orientação da Fibra (Camadas): Nunca imprima a peça em uma posição onde o esforço principal tente "separar" as camadas. A resistência da impressão 3D é menor no eixo Z.

  • Paredes (Perímetros): Para peças técnicas, o número de paredes é mais importante que o preenchimento (infill). Use no mínimo 4 a 6 perímetros para garantir que os furos tenham integridade estrutural para suportar parafusos.

  • Preenchimento (Infill): Utilize padrões como Giroide ou Cúbico, que oferecem resistência uniforme em todas as direções (3D). Evite o padrão "Grid" para peças de engenharia.

  • Fluxo e Tolerância: Se a peça precisa encaixar em um eixo, você pode precisar ajustar a "Expansão Horizontal" no fatiador para compensar a retração do material.

Dica Final: Antes de imprimir a peça completa em Nylon ou ABS, faça um teste rápido apenas da região central em PLA para validar se os diâmetros e o padrão circular de furos estão corretos.


Para maiores informações entre em contato: 

https://www.instagram.com/fabrikalab_br_impressao/